Quito, no Equador um exemplo de superação
16:10Unknown
Foto: Kaushal Karkhamis
Na América Latina, alguns países tentam como podem
encontrar soluções para seus próprios problemas de sustentabilidade.
Muitas vezes, enfrentam realidades difíceis que envolvem características
climáticas, a existência de grandes centros urbanos e até crimes
ambientais. O caso da cidade de Quito, no Equador, é dramático. A
capital nacional é atingida com frequência por incêndios florestais que
causam graves prejuízos às pessoas e ao meio ambiente.
No ano de 2009, Quito perdeu grande parte de sua camada
verde por causa do fogo que tomou conta da cidade. Segundo o Corpo de
Bombeiros local, 120 hectares de terra foram consumidos pelas chamas. De
acordo com as autoridades, aproximadamente 25 incêndios florestais
foram registrados somente entre julho e agosto daquele ano. Parte dessa
tragédia foi causada pela ação humana, já que muitos dos focos iniciais
eram provocados propositalmente – os chamados incêndios criminosos. O
clima também contribuiu para o agravamento desse quadro, uma vez que, no
Equador, entre junho e dezembro predomina o clima seco, facilitando a
expansão dos focos de incêndio.
O governo da cidade de Quito sabe que precisa se preocupar
com a vegetação urbana. Algo muitas vezes esquecido, manter a
arborização das cidades é tão importante quanto evitar o desmatamento
nas florestas. Por conta disso, a prefeitura local incentiva a execução
de planos que contribuem para reequilibrar essa balança. O “Projeto de
Florestamento e Reflorestamento” começou em 2001 e, sete anos depois,
alcançou a marca de 6 milhões de árvores plantadas, principalmente
espécies nativas. Houve também a contratação de trabalhadores – e a
adesão de voluntários – para replantar as 300 mil árvores perdidas
durante os incêndios de 2009.
Simultaneamente a este projeto, a prefeitura promoveu a
competição “O Meu Bairro Vestido de Árvores”, concurso que envolveu
moradores de 145 distritos. A ideia era conscientizar a população da
importância do plantio das árvores nos espaços urbanos e permitir aos
participantes se unirem na proteção do meio ambiente. Qualquer forma de
união foi aceita. Vizinhos, comunidades religiosas e associações de
moradores puderam participar em conjunto. Cada grupo deveria plantar a
cota mínima de mil árvores no interior dos próprios bairros onde viviam.
O objetivo final era mudar a paisagem de Quito, transformando-a numa
“cidade-jardim”. Os habitantes aderiram em peso e o resultado mostra
como a empreitada foi bem-sucedida: 140 mil árvores foram plantadas.
Todas essas iniciativas levaram a capital do Equador a ser
reconhecida pelo Índice de Cidades Verdes da América Latina como a que
conta com a maior área de espaços verdes entre as analisadas. O estudo
mapeia e identifica a performance ambiental dos principais municípios do
mundo, comparando características e apontando caminhos para torná-las
mais sustentáveis.
O vídeo abaixo mostra de maneira preocupante a evolução do
desmatamento no estado de Santa Cruz, na Bolívia. É um caso dramático
que pode servir de alerta aos demais países latino-americanos.
Artigo escrito por Henry Galsky
0 comentários